Como utilizar dados cognitivos para priorizar perigos no PGR sem aumentar o inventário de riscos da NR-1?

O Programa de Gerenciamento de Riscos não precisa se tornar uma lista cada vez maior de perigos para ser mais eficaz. O verdadeiro desafio está em entender quais condições aumentam a exposição dos trabalhadores aos riscos que já fazem parte da operação.

Essa discussão ganha ainda mais importância em setores de alta complexidade, como a aviação, onde pilotos, tripulantes, equipes de solo, profissionais da manutenção e demais operadores precisam manter altos níveis de atenção durante atividades críticas.

Com a nova redação da NR-1, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a aparecer expressamente no escopo do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Sobrecarga, jornadas exigentes e outros fatores ligados à organização do trabalho precisam entrar nessa análise.

Mas isso levanta uma questão importante para gestores de SST: como aprofundar a avaliação sem simplesmente transformar o inventário de riscos em um documento cada vez mais extenso?

Neste artigo, você vai entender como dados cognitivos podem complementar a gestão de riscos ocupacionais, ajudar na identificação de situações de maior vulnerabilidade e apoiar decisões preventivas dentro do PGR.

O que a NR-1 mudou na gestão dos riscos psicossociais?

A NR-1 determina que o gerenciamento de riscos ocupacionais considere riscos decorrentes de agentes físicos, químicos e biológicos, riscos de acidentes e fatores ergonômicos, incluindo expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. A organização também deve identificar perigos, avaliar e classificar riscos, implementar medidas de prevenção e acompanhar seu controle.

Isso não significa simplesmente adicionar termos como “estresse”, “fadiga” ou “saúde mental” ao inventário. O PGR é composto, no mínimo, pelo Inventário de Riscos Ocupacionais, que reúne a identificação de perigos e avaliação dos riscos, e pelo Plano de Ação, onde são estabelecidas as medidas necessárias para eliminar, reduzir ou controlar esses riscos.

O desafio passa a ser compreender melhor as condições reais de trabalho e utilizar informações capazes de apoiar a avaliação e a prevenção. É nesse ponto que os dados podem tornar a gestão mais precisa.

Como os dados cognitivos podem apoiar a avaliação de riscos?

Imagine um profissional executando uma atividade crítica no início do turno. Horas depois, após uma jornada exigente, sua atenção e seu tempo de reação podem não estar nas mesmas condições, ainda que a tarefa, o equipamento e o ambiente permaneçam iguais.

Fadiga, privação de sono e desgaste mental podem comprometer atenção, percepção de risco e tomada de decisão. O perigo existente na operação não necessariamente mudou, mas a condição do trabalhador diante dele pode exigir atenção da gestão.

Os dados cognitivos ajudam justamente a enxergar essas variações, por meio do acompanhamento de indicadores como tempo de reação e estado de atenção, a empresa passa a ter informações adicionais para reconhecer momentos, jornadas ou grupos que demandam medidas preventivas mais direcionadas.

Leia mais em: Como a fadiga e o estresse afetam a segurança na aviação?

É possível melhorar o PGR sem aumentar o inventário de riscos?

O Ministério do Trabalho e Emprego determina que os dados da identificação dos perigos e das avaliações dos riscos sejam consolidados no inventário e que esse documento permaneça atualizado. Também exige que a organização estabeleça critérios para avaliação dos riscos e tomada de decisão.

Assim, informações complementares podem ajudar a gestão a compreender melhor as condições em que perigos já identificados exigem maior atenção, sempre dentro da metodologia de GRO/PGR adotada pela organização e das demais NRs aplicáveis.

Na prática, em vez de simplesmente aumentar o número de registros, a empresa passa a buscar uma pergunta mais estratégica: quando e em quais condições determinado risco exige uma resposta mais rápida?

Essa mudança torna o PGR menos dependente de uma fotografia pontual da operação e mais conectado à realidade do trabalho.

Como o Sistema Atento transforma dados cognitivos em prevenção?

Por meio de testes cognitivos, nossa solução acompanha o estado de atenção e o tempo de reação dos colaboradores, comparando oscilações individuais ao longo da jornada. Essas informações ajudam a identificar sinais relacionados à fadiga, sonolência e alterações no desempenho cognitivo.

Com monitoramento, análise comportamental, alertas e histórico de dados, gestores conseguem reconhecer tendências e direcionar ações preventivas para os momentos em que a operação apresenta maior vulnerabilidade.

Isso não significa substituir o PGR, a AEP, avaliações previstas na NR-17 ou o trabalho dos profissionais responsáveis por SST. A tecnologia funciona como fonte adicional de informação para apoiar decisões e acompanhar condições relacionadas ao fator humano.

O resultado é uma gestão que não espera o acidente revelar onde estava o problema.

Perguntas frequentes sobre dados cognitivos e PGR na NR-1

A relação entre dados cognitivos, fatores humanos e gerenciamento de riscos ainda gera dúvidas entre gestores. A seguir, respondemos algumas das principais questões sobre o tema.

O que são dados cognitivos na segurança do trabalho?

São informações relacionadas ao desempenho cognitivo do trabalhador, como estado de atenção e tempo de reação. Quando acompanhadas ao longo do tempo, podem contribuir para identificar alterações que merecem atenção preventiva.

A NR-1 exige testes cognitivos?

Não, a NR-1 não estabelece a realização de testes cognitivos como obrigação específica. A norma exige que a organização identifique perigos, avalie e classifique riscos ocupacionais e implemente medidas de prevenção, considerando também os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

Como os dados cognitivos podem ser usados na aviação?

Eles podem apoiar o acompanhamento de pilotos, tripulantes, equipes de solo, manutenção e outros profissionais envolvidos em atividades críticas. A análise permite reconhecer oscilações de atenção e tendências relacionadas à fadiga antes que elas interfiram na operação.

Como a tecnologia pode apoiar o PGR?

Tecnologias de monitoramento podem fornecer dados contínuos sobre determinadas condições da operação e apoiar a identificação de tendências.

Veja também: Como reduzir riscos operacionais sem comprometer a produtividade?

Sua empresa está usando o PGR para registrar riscos ou para antecipá-los?

A NR-1 não deve transformar o PGR apenas em um inventário maior, o desafio está em utilizar as informações disponíveis para entender melhor os riscos, priorizar ações e acompanhar se as medidas adotadas realmente funcionam.

O Sistema Atento complementa essa gestão ao transformar indicadores cognitivos em informações que apoiam decisões preventivas, permitindo acompanhar o fator humano antes que alterações de atenção e desempenho contribuam para uma situação crítica.

Entre em contato e descubra como integrar dados, monitoramento e gestão preditiva à estratégia de prevenção da sua empresa. Entre em contato com nossa equipe para saber mais.

 

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